segunda-feira, 9 de abril de 2012

Resident Evil Operation Raccoon City


Novo game de Resident Evil não apenas é desserviço à série, mas aos games de ação em geral

Resident Evil: Operation Raccoon City

Resident Evil: Operation Raccoon City

Capcom | Slant Six Games
, 2012
Ação
Ruim
Resident Evil: Operation Raccoon City
Resident Evil: Operation Raccoon City
Resident Evil: Operation Raccoon City
Resident Evil: Operation Raccoon City
Os fãs não poderiam estar mais desapontados com aCapcom. Mesmo que a empresa tenha explicado diversas vezes que Resident Evil Operation Raccoon city  não seria o tão aguardado retorno às raízes de horror da franquia, esperava-se pelo menos um excelente game de ação, algo que estivesse à altura da marca. Mas a qualidade geral do novo título, desenvolvido pela canadense Slant Six Games (SOCOM), é tão abismal que parece tratar-se de um desses jogos de tiro genéricos que chegam mensalmente às lojas.
Ainda que desperte algum interesse por revisitar cenários e momentos clássicos dos primeiros jogos - quando a infecção zumbi deflagrada pelo Vírus T começava a se espalhar -, está tudo errado com o novo game. Não há justificativa para um título de fim de ciclo de geração de consoles, produzido por uma das melhores empresas da indústria, ser graficamente inferior a games com três, quatro anos de idade. Mesmo se comparado a Resident Evil 5, Operation Raccoon City parece mal-acabado e velho.
Igualmente péssima é a jogabilidade. Jogos de tiro, em primeira ou terceira pessoa, já foram testados de todas as formas possíveis. Assim, entregar um produto que peca nos principais fundamentos do gênero (impacto, movimentação, inteligência artificial, mira...) é inexplicável. Os oponentes - sejam eles humanos, monstros ou zumbis - não reagem aos tiros ou combate de proximidade (as facadas e golpes não têm peso), simplesmente desmoronando depois de algumas saraivadas ou pancadas. O sistema de cobertura é horroroso, não permitindo movimentação entre defesas e com uma simplificação que frequentemente me fez soltar um palavrão: basta andar ao encontro da cobertura para que o personagem se abaixe atrás dela.
Os upgrades de armas e personagens também são equivocadíssimos. Antes de cada missão é possível optar por apenas um poder diferencial de cada personagem, que serve para muito pouco, esvaziando as possibilidades estratégicas do título. Aliás, estratégia pra quê se os seus aliados controlados pelo computador são tão burros quanto os zumbis? No meio de tiroteios era frequente que meus colegas aparecessem cruzando a tela em direção ao vazio ou estivessem voltados para o lado errado do conflito. Ou você joga Operation Raccoon City com amigos, ou vai ficar muito nervoso.
A coisa só piora em termos narrativos. Descontando os momentos de interesse relacionados à mitologia, as sequências animadas são difíceis de assistir, ainda mais com personagens tão caricatos e sem intérpretes de peso. Nenhum dos personagens, que parecem saídos de algum filme B de terror, tem carisma suficiente para carregar a história, já perfeitamente explorada na cronologia pré-existente.
Como único ponto positivo está o capricho nos modos de jogo online. É possível jogar a campanha com outros três amigos através da rede, sendo que eles podem entrar e sair na aventura a qualquer momento. Os modos competitivos, que incluem "Team Attack" (competição por frags), "Biohazard" (em que uma amostra do Vírus-T precisa ser protegida pela equipe), "Survivors" (espécie de "Horda", com o time tendo que sobreviver a invasões de inimigos) e "Heroes" (com personagens clássicos enfrentando a equipe da Umbrella em meio a criaturas e zumbis), são interessantes, mas nada que justifique o desleixo na jogabilidade...
Resident Evil: Operation Raccoon City é, portanto, um desserviço aos fãs da outrora popular franquia de survival horror. Que o próximo game, Resident Evil 6, consiga retomar a qualidade perdida do nome Resident Evil - hoje mais conhecido do grande público por uma série cinematográfica de qualidade duvidosa - e reecontrar o caminho do horror do qual tornou-se referência.


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